“Caro visitante,
Seja bem-vindo ao Rio de Janeiro. Uma cidade belíssima, de lugares fascinantes, praias paradisíacas, florestas verdes, música envolvente, patrimônios culturais e um povo que esbanja felicidade e harmonia. Festas e celebrações são realizadas aos milhares, visto que os seus habitantes estão sempre ávidos pela eterna diversão. Porém, poderia ser ela realmente maravilhosa se não fosse pela noite?
Talvez mais atraente e sedutora do que o dia para muitas pessoas, a noite aqui não possui limites. Tudo é válido para o prazer e a curtição eterna dos seus mais fiéis seguidores: álcool, drogas, orgias, armas e casas noturnas para os mais variados gostos. Só que há um preço a se pagar, pois é nesta hora que temos a infelicidade de dividi-la com os “outros”.
Ora, não existe outro jeito de descrevê-los sem assustá-lo, então, irei direto ao assunto. Essas terríveis aberrações, como convém chamá-los, são seres amaldiçoados e condenados a uma eternidade de puro sofrimento, que se levantam ao pôr do sol para se alimentar da única substância que lhes confere a vida prolongada, o nosso sangue. Logo, durante as noites, eles são os verdadeiros donos da cidade. Sua fome avassaladora faz das ruas um local assustador para se frequentar e a sua exímia capacidade para matar deixa até mesmo os mais corajosos sem reação.
Isto posto, se pretende se divertir durante sua estadia, dar-lhe-ei um conselho: durma cedo, mais precisamente enquanto estiver sob a luz do dia, a fim de evitar quaisquer perigos. Se algo lhe acontecer, não se incomode em avisar as autoridades, eles a controlam. Se for seguido, tenha a certeza do fim. E, se por um acaso for abraçado por um deles, faça a si mesmo o favor de tirar a própria vida ou uma pós-existência insuportável de tormento e angústia o espera”.
– Cardeal Antônio Miguel da Costa,
Líder da Ordem dos Caçadores do Rio de Janeiro (OCARJ)
